Projeto Camisa 10

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quinta-feira, 6 de março de 2014

O Legado da Copa 2014

 

Dois chinelos, um time com camisa e o outro sem, um goleiro e é claro, uma bola.

Pronto, está iniciando a final da Copa 2014.  

“O que se observa, nessa trajetória, é o papel fundamental que o futebol teve na construção da identidade nacional brasileira, na medida em que foi se transformando numa "paixão nacional", compondo de maneira significativa o mosaico da cultura nacional. Assim como o carnaval e o samba, o futebol é um dos patrimônios culturais brasileiros”. (DA MATTA, Esporte na Sociedade, 1982).

A criança brasileira possui uma paixão pelo futebol. Desta forma, fazer do esporte uma ferramenta poderosa de transformação social não é uma tarefa complicada. Como esporte coletivo, através da prática do futebol podemos desenvolver valores comunitários importantes como, liderança jovem, trabalho em equipe, cooperação, comunicação, entre outros.

      “Em um país de tantas diferenças, o futebol entra em campo para     mostrar que quando a bola rola, todos somos iguais(autor desconhecido)

Podemos observar isto através da diversidade do futebol brasileiro, analisando qualquer time ou a seleção nacional. Em se tratando do esporte mais praticado do mundo, pouco importa a etnia, religião ou classe social, mas sim o que cada jogador poderá contribuir com a sua equipe para conquistas coletivas. (Programa Petrobras, Esporte Educacional, 2014)

Partindo deste princípio, podemos perceber o potencial do futebol como agente transformador social e pensando justamente nisso, é que foi criado a ONG Projeto Camisa 10 em 14 de Maio de 2010.

Localizado em uma região estratégica, na divisa entra as cidades de São José dos Pinhais e Curitiba, a ONG Projeto Camisa 10 tem como um dos seus objetivos resgatar o antigo PAVOC e explorar o potencial genético da região como Praça Esportiva e Centro de Treinamento para a formação de atletas de futebol. Utilizado nos treinamentos do Projeto Camisa 10, o local estava desativado por mais de 15 anos e hoje é frequentado por mais de 200 crianças e jovens dos bairros Uberaba e Boqueirão e também alunos das escolas públicas de São José dos Pinhais.

Em três anos de trabalho árduo, a ONG conseguiu superar todas as suas metas, gerando oportunidades e criando um ambiente esportivo saudável. Com ótimos profissionais engajados em um proposito social, capacitamos crianças e jovens a ingressarem positivamente na sociedade, possibilitando que o esporte seja o ponto de partida para a consolidação de práticas como: cooperação, comunicação, respeito, liderança, trabalho em equipe, aprendendo também a gerenciar conflitos e administrar a competição. O programa de inserção social Educar pelo Esporte do Projeto Social Camisa 10 tem como objetivo oportunizar as crianças e jovens a prática de atividades esportivas, culturais, educacionais e de manutenção da saúde, pautado nos quatro pilares da educação propostos pela UNESCO.

As ações do Projeto Camisa 10 geram oportunidades para ampliarmos o atendimento e a demanda sócio esportiva do país, firmando novas parcerias com os mais diversos setores que engajados, contribuem efetivamente para o combate das mazelas da nossa sociedade, agregando valores inestimáveis como responsabilidade social, governança, cidadania através do futebol.

Livre de matrículas e mensalidades, com professores formados em Educação Física especializados em Futebol e Treinamento desportivo, a ONG levou o futebol novamente às periferias da cidade de forma organizada. Com poucos recursos e muita dedicação, o Projeto Camisa 10 promove um movimento pioneiro e inédito no Brasil que conecta jovens e comunidades sociais, tendo como objetivo integrar, motivar e fortalecer a comunidade.

Com parceiros de peso como o ISAE-FGV (Programa UANÁ), RPC TV (Instituto GRPCOM), SANEPAR, NUTRIMENTAL, PRATES IMÓVEIS e MENEGOTTO MÓVEIS o projeto camisa 10 teve a oportunidade de participar do Fórum Football For Hope 2013 Copa das Confederações, programa da FIFA que desenvolve projetos sociais em todo o mundo que utilizam o futebol como ferramenta de transformação.

O Clube Atlético Paranaense por intermédio da Escola Furacão, atua como grande parceira em suas ações sociais e o Projeto Camisa 10 participa ativamente dos programas oferecidos pelo Cap, qualificando ainda mais a sua estrutura e seus professores para melhorar a qualidade do trabalho desenvolvido.

Participe da ONG Projeto Camisa 10 e ajude crianças e jovens a driblarem situações de risco. Todo grande time precisa de uma torcida, faça parte você também da torcida camisa 10. Conheça mais sobre o projeto camisa em nosso blog ongcamisa10.blogspot.com
Professor Alvaro Menegotto
Presidente da ONG Projeto Camisa 10
Treinador de Futebol
Cref 6622-Pr

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tottenham Hotspur Foundation e British Council oferecem treinamento em projetos sociais para o CAP

Professor Alvaro Menegotto com o seu Ex-treinador de futebol Sergio Moura, que foi responsável pela formação de grandes craques do Clube Atlético Paranaense. Os treinadores participaram da Clínica oferecida pela Escola Furacão.
                  O Clube Atlético Paranaense tem uma forte atuação social através das Escolas Furacão. O projeto, que tem como um dos principais objetivos a inclusão de jovens em atividades esportivas e educacionais, acontece em escolas licenciadas e espaços públicos, ambientes em que conta com a participação de professores e voluntários.
                   Com o intuito de aumentar o potencial social das Escolas Furacão, o CAP, o British Council e a Tottenham Hotspur Foundation, a fundação social do clube de futebol homônimo, organizarão um treinamento no dia 18 de fevereiro, no Centro de Treinamentos Alfredo Gottardi, o “CT do Caju”, do Clube Atlético Paranaense.
                 A Tottenham Hotspur Foundation existe há 5 anos e já beneficiou mais de 1.5 milhão de crianças e adolescentes através de projetos sociais que visam criar oportunidades e promover educação através do esporte.
Professores e voluntários de 12 projetos sociais das Escolas Furacão participarão do treinamento, em que três especialistas em programas comunitários da Tottenham Hotspurs Foundation falarão sobre o desenvolvimento de projetos comunitários.
Esta iniciativa faz parte do programa Premier Skills, uma parceria global entre o British Council e a Premier League, que no Brasil atua com parceiros locais em projetos no Rio de Janeiro, São Paulo e, agora, também em Curitiba.
              

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Clube Atlético Paranaense e Tottenham Hotspurs Foundation juntos em treinamento organizado pelo British Council sobre desenvolvimento de projetos sociais.

 

Fundação do clube Tottenham Hotspurs fará oficina para treinadores de 12 projetos sociais da Escola Furacão.

O Clube Atlético Paranaense tem uma forte atuação social através das Escolas Furacão. O projeto que visa à inclusão de jovens em atividades esportivas e educacionais acontece em espaços públicos e escolas e conta com a participação de professores e voluntários.
 
Pensando em aumentar o potencial social do projeto, a British Council, o Clube Atlético Paranaense e a Tottenham Hotspurs Foundation organizarão um treinamento no dia 18 de fevereiro, no CT do Caju.

A Tottenham Hotspur Foundation, que foi criada com um grande investimento do clube homônimo, existe há 5 anos e já beneficiou mais de 1.5 milhão de crianças e adolescentes através de projetos sociais que visam criar oportunidades e promover educação através do esporte.

Professores e voluntários de 12 projetos sociais das Escolas Furacão participarão do treinamento, em que três especialistas em programas comunitários da Tottenham Hotspurs Foundation abordarão temas de campo integrando a questão social.

Esta iniciativa faz parte do programa Premier Skills, uma parceria global entre o British Council e a Premier League, que no Brasil atua com parceiros locais em projetos no Rio de Janeiro, São Paulo e, agora, também em Curitiba.

Segundo Ana Bessa, gerente de esportes no British Council “O objetivo do treinamento é compartilhar melhores práticas e contribuir com ferramentas que ajudem a maximizar o impacto social do trabalho que já vem sendo desenvolvido pelos projetos sociais do Atlético Paranaense. O esporte, principalmente o futebol, facilita a comunicação com crianças e jovens e é um canal excelente para engajá-los em atividades educacionais e de cidadania”.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Treinador do Projeto Camisa 10 participa de Clínica no Clube Atlético Paranaense

Professro Tyego durante Clínica escola furacão 
Entre os dias 6 e 9 de fevereiro acontecerá em Curitiba a “I Clínica Escola Furacão”. No evento, mais de 80 profissionais, entre licenciados e professores das Escolas Furacão de todo o Brasil, participarão de palestras e seminários com os profissionais do Clube Atlético Paranaense.
Durante o evento, os participantes conhecerão o Centro de Treinamentos do Caju e assistirão apresentações com o coordenador das Categorias de Formação do CAP e técnico do time Sub-23, Dejan Petkovic, e outros integrantes da comissão técnica.
“Nesta Clínica, os licenciados perceberão a total integração do Atlético Paranaense com as Escolas”, conta Ricardo Silva, gerente das Escolas Furacão. “Isso representa um novo momento das Escolas. A nova filosofia que implantamos tem o alinhamento necessário com o CAP para que possamos priorizar as aulas e os processos pedagógicos”, completa.
No último dia da Clínica, os profissionais irão ao Estádio Durival de Britto e Silva acompanhar o clássico Atletiba, pela quinta rodada do Campeonato Paranaense 2014.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Coluna sobra a Copa 2014,



Antonio Lassance
Vai ter Copa: argumentos para enfrentar quem torce contra o Brasil.

Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil.
 

Profetas do pânico: os gupos que patrocinam a campanha anticopa

Existe uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo no Brasil. A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.

Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.

A arrogância e o elitismo dos cartolas da Fifa também ajudaram. Aliás, a velha palavra “cartola” permanece a mais perfeita designação da arrogância e do elitismo de muitos dirigentes de futebol do mundo inteiro.

Mas a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico.

O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso.

Afinal, nada melhor do que o pânico para se assassinar o bom senso.

Como conseguiram azedar o clima da Copa do Mundo no Brasil

O grande problema é quando os profetas do pânico levam consigo muita gente que não é nem virulenta, nem violenta, mas que acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil dar conta do recado.

Isso azedou o clima. Pela primeira vez em todas as copas, a principal preocupação do brasileiro não é se a nossa seleção irá ganhar ou perder a competição.

A campanha anticopa foi tão forte e, reconheçamos, tão eficiente que provocou algo estranho. Um clima esquisito se alastrou e, justo quando a Copa é no Brasil, até agora não apareceu aquela sensação que, por aqui, sempre foi equivalente à do Carnaval.

Se depender desses Panicopas (os profetas do pânico na Copa), essa será a mais triste de todas as copas.

“Hello!”: já fizemos uma copa antes

Até hoje, os países que recebem uma Copa tornam-se, por um ano, os maiores entusiastas do evento. Foi assim, inclusive, no Brasil, em 1950. Sediamos o mundial com muito menos condições do que temos agora.

Aquela Copa nos deixou três grandes legados. O primeiro foi o Maracanã, o maior estádio do mundo – que só ficou pronto faltando poucos dias para o início dos jogos.

O segundo, graças à derrota para o Uruguai (“El Maracanazo”), foi o eterno medo que muitos brasileiros têm de que as coisas saiam errado no final e de o Brasil dar vexame diante do mundo - o que Nélson Rodrigues apelidou de “complexo de vira-latas”,  a ideia de que o brasileiro nasceu para perder, para errar, para sofrer.

O terceiro legado, inestimável, foi a associação cada vez mais profunda entre o futebol e a imagem do país. O futebol continua sendo o principal cartão de visitas do Brasil – imbatível nesse aspecto.

O cartunista Henfil, quando foi à China, em 1977, foi recebido com sorrisos no rosto e com a única palavra que os chineses sabiam do Português: “Pelé” (está no livro “Henfil na China”, de 1978).

O valor dessa imagem para o Brasil, se for calculada em campanhas publicitárias para se gerar o mesmo efeito, vale uma centena de Maracanãs. 

Desinformação #1: o dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante

O pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.

Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da copa.

A “Copa” vai consumir quase 26 bilhões de reais.

A construção de estádios (8 bi) é cerca de 30% desse valor.

Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra.

Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.

O gastos em aeroportos (6,7 bi), somados ao que será investido pela iniciativa privada (2,8 bi até 2014) é maior que o gasto com estádios.

O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).

Quase 2 bi serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.

Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.

Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes

Os atrasos nas obras pelo menos serviram para mostrar que a organização do evento não está isenta de problemas que afetam também outras áreas. De todo modo, não dá para se dizer que a organização da Copa teve mais colher de chá que outras áreas. 

Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas. Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com 8 bi, já teriam sido.

Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo. 

Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa. Ao contrário, vai gastar mais. Não por causa da Copa, mas independentemente dela.

No que se refere à segurança pública, também haverá mais recursos para a área. Aqui, uma das razões é, sim, a Copa.

Dados como esses estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso (nas referências ao final está indicado onde encontrar mais detalhes).  

Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.

Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.

Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.

Os estádios, que foram malhados como Judas e tratados como ícones do desperdício, geraram, até a Copa das Confederações, 24,5 mil empregos diretos. Alto lá quando alguém falar que isso não é importante.

Será que o raciocínio contra os estádios vale também para a Praça da Apoteose e para todos os monumentos de Niemeyer? Vale para a estátua do Cristo Redentor? Vale para as igrejas de Ouro Preto e Mariana? 

Havia coisas mais importantes a serem feitas no Brasil, antes desses monumentos extraordinários. Mas o que não foi feito de importante deixou de ser feito porque construíram o bondinho do Pão-de-Açúcar? 

Até mesmo para o futebol, o jogo e o estádio são, para dizer a verdade, um detalhe menos importante. No fundo, estádios e jogos são apenas formas para se juntar as pessoas. Isso sim é muito importante. Mais do que alguns imaginam. 

Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame

Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora? 

Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo? 

Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?

O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreram atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.

O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.

O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida. 

O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.

O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.

Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.

Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil 

De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).

Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas. 

De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).

Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.


Desinformação #5: a Copa é uma forma de enganar o povo e desviá-lo de seus reais problemas

O Brasil tem de problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa.

O Brasil tem futebol sem precisar, para isso, fazer uma copa do mundo. E a maioria assiste aos jogos da seleção sem ir a estádios. 

Quem quiser torcer contra o Brasil que torça. Há quem não goste de futebol, é um direito a ser respeitado. Mas daí querer dar ares de “visão crítica” é piada.

Desinformação #6: muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, o que é um grave problema

É verdade, muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, mas isso não é um grave problema. Tem até um nome: chama-se “legado”.

Mas, além do legado em infraestrutura para o país, a Copa provocou um outro, imaterial, mas que pode fazer uma boa diferença. 

Trata-se da medida provisória enviada por Dilma e aprovada pelo Congresso (entrará em vigor em abril deste ano), que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos.

A lei ainda obrigará as entidades (não apenas de futebol) a fazer o que nunca fizeram: prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão. Os atletas também terão direito a voto e participação na direção. Seria bom se o aclamado Barcelona, de Neymar, fizesse o mesmo.

Estresse de 2013 virou o jogo contra a Copa

Foi o estresse de 2013 que virou o jogo contra a Copa. Principalmente quando aos protestos se misturaram os críticos mascarados e os descarados.

Os mascarados acompanharam os protestos de perto e neles pegaram carona, quebrando e botando fogo. Os descarados ficaram bem de longe, noticiando o que não viam e nem ouviam; dando cartaz ao que não tinha cartaz; fingindo dublar a “voz das ruas”, enquanto as ruas hostilizavam as emissoras, os jornalões, as revistinhas e até as coitadas das bancas.

O fato é que um sentimento estranho tomou conta dos brasileiros. Diferentemente de outras copas, o que mais as pessoas querem hoje saber não é a data dos jogos, nem os grupos, nem a escalação dos times de cada seleção.  

A maioria quer saber se o país irá funcionar bem e se terá paz durante a competição. Estranho. 

É quase um termômetro, ou um teste do grau de envenenamento a que uma pessoa está acometida. Pergunte a alguém sobre a Copa e ouça se ela fala dos jogos ou de algo que tenha a ver com medo. Assim se descobre se ela está empolgada ou se sentou em uma flecha envenenada deixada por um profeta do apocalipse.

Todo mundo em pânico: esse filme de comédia a gente já viu

Funciona assim: os profetas do pânico rogam uma praga e marcam a data para a tragédia acontecer. E esperam para ver o que acontece. Se algo “previsto” não acontece, não tem problema. A intenção era só disseminar o pânico e o baixo astral mesmo.

O que diziam os profetas do pânico sobre o Brasil em 2013?  Entre outras coisas:

Que estávamos à beira de um sério apagão elétrico.

Que o Brasil não conseguiria cumprir sua meta de inflação e nem de superávit primário.

Que o preço dos alimentos estava fora de controle.

Que não se conseguiria aprontar todos os estádios para a Copa das Confederações.

O apagão não veio e as termelétricas foram desligadas antes do previsto. A inflação ficou dentro da meta. A inflação de alimentos retrocedeu. Todos os estádios previstos para a Copa das Confederações foram entregues.

Essas foram as profecias de 2013. Todas furadas.

Cada ano tem suas previsões malditas mais badaladas. Em 2007 e 2008, a mesma turma do pânico dizia que o Brasil estava tendo uma grande epidemia de febre amarela. Acabou morrendo mais gente de overdose de vacina do que de febre amarela, graças aos profetas do pânico.

Em 2009 e 2010, os agourentos diziam que o Brasil não estava preparado para enfrentar a gripe aviária e nem a gripe “suína”, o H1N1. Segundo esses especialistas em catástrofes, os brasileiros não tinham competência nem estrutura para lidar com um problema daquele tamanho. Soa parecido com o discurso anticopa, não?

O cataclismo do H1N1 seria gravíssimo. Os videntes falavam aos quatro cantos que não se poderia pegar ônibus, metrô ou trem, tal o contágio. Não se poderia ir à escola, ao trabalho, ao supermercado. Resultado? Não houve epidemia de coisa alguma.

Mas os profetas do pânico não se dão por vencidos. Eles são insistentes (e chatos também). Quando uma de suas profecias furadas não acontece, eles simplesmente adiam a data do juízo final, ou trocam de praga.

Agora, atenção todos, o próximo fim do mundo é a Copa. “Imagina na Copa” é o slogan. E há muita gente boa que não só reproduz tal slogan como perde seu tempo e sua paciência acreditando nisso, pela enésima vez. 

Para enfrentar o pessoal que é ruim da cabeça ou doente do pé

O pânico é a bomba criada pelos covardes e pulhas para abater os incautos, os ingênuos e os desinformados.

Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.

Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.

É preciso que cada um seja mais veemente, mais incisivo e mais altivo que os profetas do pânico. Eles gostam de falar grosso? Vamos ver como se comportam se forem jogados contra a parede, desmascarados por uma informação que desmonta sua desinformação.

As pessoas precisam tomar consciência de que deixar uma informação errada e uma opinião maldosa se disseminar é como jogar lixo na rua. 

Deixar envenenar o ambiente não é um bom caminho para melhorar o país.

A essa altura do campeonato, faltando poucos meses para a abertura do evento, já não se trata mais de Fifa. É do Brasil que estamos falando.

É claro que as informações deste texto só fazem sentido para quem as palavras “Brasil” e “brasileiros” significam alguma coisa.

Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.

Ter orgulho do país e torcer para que as coisas deem certo não deve ser confundido com compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas. É simplesmente tentar colocar cada coisa em seu lugar.

Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país.

O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.

É preciso enfrentar, confrontar e vencer esse debate. É preciso mostrar que esse pessoal que é profeta do pânico é ruim da cabeça ou doente do pé.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política e torcedor da Seleção Brasileira de Futebol desde sempre.

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